Maria Carolina Vitali

Aqui usaremos esse espaço para falarmos de gente. Isso mesmo. Vamos falar sobre o SER humano. Vou falar de mim, de meus sentimentos, minhas verdades, medos, alegrias, tristezas, ganhos e perdas… Enfim falar da VIDA!!!

LETRAMENTO: A ETIMOLOGIA, O SEU SURGIMENTO E AS SUAS DIVERSIFICADAS PRÁTICAS SOCIAIS.

6 de março de 2010

 

Letramento é o resultado da ação de ensinar a ler e escrever. É o estado ou a condição que adquire um grupo social ou um indivíduo como conseqüência de ter-se apropriado da escrita; caracterizando o indivíduo que domina a leitura, ou seja, que não só sabe ler e escrever (atributo daquele que é alfabetizado), mas que também faz uso competente e frequente da leitura e da escrita. Fala-se no letramento como ampliação do sentido de alfabetização. É a compreensão, a contextualização e utilização apropriada da leitura. É saber interpretar o significado daquilo que se lê.

 

O Letramento surgiu, há mais ou menos vinte anos, entre os linguístas e estudiosos da língua portuguesa, e em seguida passou a fazer parte do vocabulário pedagógico.


No livro “No mundo da escrita: uma perspectiva psicolinguística” (1986) de Mary A. Kato, a autora registrou, que foram feitas buscas em dicionários da língua portuguesa e o que se encontrou foi apenas um sinônimo para a palavra letramento, ou seja, “escrita”, no Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa de Caldas Aulete. Mas esse vocábulo é utilizado hoje para significar “educado, especialmente, para ler e escrever”.

 

Quando descobertas “novas” são feitas, ou surgem novas ideias a respeito de fenômenos científicos, depara-se com a necessidade de se criar novos vocábulos  para se tratar com estes assuntos (SOARES, 2003). Ou seja, frequentes mudanças sociais geram novas demandas sociais de uso da leitura e da escrita, gerando novos termos específicos.

O letramento é um fenômeno social e destaca as características sócio-históricas ao se adquirir um sistema de escrita por um grupo social. Ele é o resultado da ação de ensinar e de aprender a ler e escrever, e denota estado ou condição em que um indivíduo ou sociedade “apodera-se” de um sistema de grafia.

A Linguagem é interação verbal e a leitura é fundamental. O ato de ler é objetivo, prático, antecipatório e passa pela significação, compreensão e interpretação e sempre há uma intenção no ato de ler. A leitura é fundamental para que o sujeito ocupe seu lugar no mundo, na sociedade.

A palavra nasce da significação que o ser humano dá às suas experiências. A leitura da palavra só pode ocorrer depois que lhe são atribuídas cores, sabores, sentidos, sentimentos, contexto aos fatos e/ou objetos.

A leitura da “palavramundo” consiste em reviver na memória, vivências passadas que permitem uma compreensão do presente. “Palavramundo” é aquela que nasce da experiência de vida, do conhecimento, daquilo que está entranhado em na história pessoal de cada indivíduo. Palavra esta, que é significativa, contextualizada, crítica e transformadora.

A prática pedagógica tem a intenção de transformar o homem em um ser pensante, atuante e crítico, levando-o então, a ser um agente transformador de seu meio, o que é uma prática política. O bem pensar permite que o homem critique,modifique, transforme sua realidade, buscando novas alternativas aquilo que já não serve mais.

Ler e escrever começam a partir de uma compreensão abrangente do ato de ler o mundo, coisa que os seres humanos fazem antes de ler a palavra.

O Brasil ainda enfrenta o problema do analfabetismo, tanto de crianças que saem da escola quanto de outros que não tiveram a oportunidade de se apropriarem do saber da leitura e escrita.

Paulo Freire afirma que para o educador, o ato de aprender “é construir, reconstruir, constatar para mudar, o que não se faz sem abertura ao risco e à aventura do espírito”. Esta constatação não está relacionada somente ao educando, pois sabemos que o educador tem que estar sempre adquirindo novos aprendizados, buscando novos saberes. Então, necessário é que o educador atente-se para aquilo que é sumariamente importante na sua formação, ou seja, “o momento fundamental é o da reflexão crítica sobre a prática”, e, “quanto mais inquieta for uma pedagogia, mais crítica ela se tornará” (FREIRE, 1990). O mesmo afirma que a Pedagogia se tornará crítica se for investigativa e menos certa de certezas, pois o ato de educar não é uma doação de conhecimento do professor aos educandos, nem transmissão de idéias, mesmo que estas sejam consideradas muito boas. Ao contrário, é uma contribuição no “processo de humanização”.

O profissional de educação deve ser capaz de fazer sua interferência na realidade, o que certamente, gerará novos conhecimentos, e isto, é bem mais elevado do que simplesmente se enquadrar na mesma. Como o letramento é um fenômeno social; essa intervenção que se faz necessária pode ser proporcionada por ele.

Saber ler e escrever um bom número de palavras não é o bastante para capacitar o indivíduo para a leitura diversificada. Para o educador se tornar um “professor-letrador” necessário se faz que, primeiramente, obtenha informações a respeito do tema, as suas dimensões e, sobretudo, a sua aplicação. Esta última é desenvolvida através de pesquisas e investigação, que geram subsídios.

Entretanto, gerar subsídios para educadores é uma tarefa difícil de ser exercida, pois sabemos que alguns desses profissionais, num determinado momento, se colocam em uma posição quase inatingível, completos de suas certezas, sem o desejo de se transformar e transformar o mundo ao seu redor. Porém, se há mudanças contínuas na sociedade contemporânea, e essas refletem em todos os setores, inclusive na escola, é lógico que a cristalização dos saberes do educador é um equívoco, pois o conhecimento nunca se completa, ou se finda, e o letramento é um exemplo claro disso.

Existem alguns passos que podem ser seguidos para o desempenho do papel do “professor-letrador”: investigar as práticas sociais que fazem parte do cotidiano do aluno, adequando-as à sala de aula e aos conteúdos a serem trabalhados; planejar suas ações visando ensinar para que serve a linguagem escrita e como o aluno poderá utilizá-la; desenvolver no aluno, através da leitura, interpretação e produção de diferentes gêneros de textos, habilidades de leitura e escrita que funcionem dentro da sociedade; incentivar o aluno a praticar socialmente a leitura e a escrita, de forma criativa, descobridora, crítica, autônoma e ativa, já que a linguagem é interação e, como tal, requer a participação transformadora dos sujeitos sociais que a utilizam; recognição, por parte do professor, implicando assim o reconhecimento daquilo que o educando já possui de conhecimento empírico, e respeitar, acima de tudo, esse conhecimento; não ser julgador, mas desenvolver uma metodologia avaliativa com certa sensibilidade, atentando-se para a pluralidade de vozes, a variedade de discursos e linguagens diferentes; avaliar de forma individual, levando em consideração as peculiaridades de cada indivíduo; trabalhar a percepção de seu próprio valor e promover a auto-estima e a alegria de conviver e cooperar; ativar mais do que o intelecto em um ambiente de aprendizagem, ser professor-aprendiz tanto quanto os seus educandos; e reconhecer a importância do letramento, e abandonar os métodos de aprendizado repetitivo, baseados na descontextualização.

Contudo, as insuficiências do sistema escolar na formação de indivíduos absolutamente letrados não sucedem somente pelo fato de o “professor não ser um representante pleno da cultura letrada, nem das falhas num currículo que não instrumentaliza o professor para o ensino” (KLEIMAN, 1995: 47), pois essas falhas são mais enraizadas, porque são produtos do modelo imposto pelo sistema padrão de ensino,ou seja, é uma questão cultural.

O nível de letramento é determinado pela variedade de gêneros de textos escritos que a criança ou adulto reconhece. Segundo essa corrente, a criança que vive em um ambiente em que se lêem livros, jornais, revistas, bulas de remédios, receitas culinárias e outros tipos de literatura, o nível de letramento será superior ao de uma criança cujos pais não são alfabetizados, nem outras pessoas de seu convívio cotidiano lhe favoreçam este contato com o mundo letrado.

Paulo Freire afirma que "na verdade, o domínio sobre os signos linguísticos escritos, mesmo pela criança que se alfabetiza, pressupõe uma experiência social que o precede – a da ‘leitura’ do mundo, que aqui chamamos de letramento.

E atualmente, o ensino passa por um momento complicado, pois a criança ou o adulto, em sua maioria, é alfabetizado, mas não é letrado. O indivíduo lê o que está escrito, mas não consegue compreender, interpretar o que leu e isso faz deste indivíduo, alguém com muitas limitações, pois se ele não interpreta ou compreende corretamente, terá problemas em todas as disciplinas que fazem parte do seu currículo escolar. De acordo com Freire (1989, p. 58-9), “(…) o ato de estudar, enquanto ato curioso do sujeito diante do mundo é expressão da forma de estar sendo dos seres humanos, como seres sociais, históricos, seres fazedores, transformadores, que não apenas sabem mas sabem que sabem.”

O professor tem um papel primordial de transformar esta pessoa alfabetizada, em uma pessoa letrada e isso acontece através de incentivos variados, no que diz respeito à leitura de diversas tipologias textuais e também utilizando-se de exercícios de interpretação e compreensão de diferentes tipos de textos, em que vários tipos de ferramentas podem ser utilizados. Podem ser usados materiais mais convencionais como livros, revistas, jornais, entre outros e materiais mais modernos como internet, blogs, e-mails, etc.

Portanto, mais importante que decodificar símbolos, é preciso compreender a funcionalidade da língua escrita, pois é assim que o cidadão torna-se mais atuante, participativo e autônomo, de forma significativa na sociedade na qual este está inserido.

E o indivíduo, para não ser atropelado e marginalizado pelas mudanças sociais deverá acompanhar, através da atualização individual, o processo que levará ao crescimento e desenvolvimento.

Não que o educando não tenha qualquer saber antes da alfabetização, pelo contrário, sabemos que todo indivíduo possui, de alguma forma, níveis de conhecimento. E, isto, foi muito bem discorrido por Paulo Freire: “Esse é um ponto de suma importância para aqueles que pretendem despojar-se dos restritos, e incisivos, conceitos em que a alfabetização é estabelecida em termos mecânicos e funcionais”.

O que pretendemos é incentivar o educador a fazer uso do conhecimento nato de mundo que o educando possui e sua relação com a língua escrita, assim ele poderá alfabetizar letrando.

Há pelo menos uma constatação: existem diferentes tipos e níveis de letramento, e estão eles ligados às necessidades e exigências de uma sociedade e de cada indivíduo no seu meio social.

Bullying

  Uma nova modalidade de violência se apresenta em nossas escolas

 

O Bullying tem invadido as escolas de todo o mundo, inclusive de nossa cidade. Cabe a nós, pais, professores, educadores, psicólogos, pedagogos; ficarmos de olho em nossas crianças e adolescentes. Quando um ou mais alunos estão agredindo moral, física e/ou psicologicamente, repetidas vezes, sem motivo, outro(s) aluno(s) que está em desvantagem na situação. Só acontece quando quem o pratica tem mais poder do que quem o exerce.

A criança/ adolescente que aplica,sofre ou testemunha essa situação, nos dá muito sinais. E é isso que veremos a seguir.

 

Causas

Comportamentos

Baixa tolerância à frustração

Zoar

Má relação de PODER: Se existe vítima é porque existe algoz e vice e versa.

Provocar

Ausência de Limites

Isolar

Ausência de Afeto

Diminuir

Dificuldades no Ambiente Familiar

Quebrar objetos pessoais

 

Fazer sofrer

 

Humilhar

 

Bater

 

Agredir física, moral e psicologicamente

 

Segregar

 

Criar rótulos

 

Ameaçar

 

Amedrontar

 

Assediar

 

Tipos de Bullying que mais ocorrem

 

2,5% - Não deixam o colega brincar, conversar ou ficar perto.

0,2% - Quebram ou pegam coisas ou dinheiro.

11,8% - Contam mentiras, fofocam a respeito.

54,2% - Apelidam, xingam, maltratam.

16,1% - Empurram, chutam, batem.

8,5% - Ameaçam.

2% - Outros.

0,2% - Não responderam.

 

Atitude dos alunos na busca de ajuda: 21% pedem auxílio aos seus colegas

 

16,9% - Falaram com seus pais ou responsáveis.

3,3% - Falaram com seus irmãos ou irmãs.

21,3% - Falaram com seus colegas.

0,8% - Falaram com outras pessoas.

15,6% - Falaram com o diretor, coordenador, professor ou outro funcionário.

41,6% - Não falaram com ninguém.

0,6% - Não responderam.

 

 

Escola contra o Bullying 

 

ü     Esclarecer o que é Bullying.

ü     Avisar, desde o primeiro dia de aula, que essa prática não é tolerada pela escola.

ü     Demonstrar abertura para conversar com os alunos.

ü     Escutar atentamente qualquer tipo de problema, reclamação ou sugestão dos alunos.

ü     Estimular os alunos a avisar sempre que ocorrer Bullying.

ü     Divulgar o Bullying nas classes e estimular os alunos a buscar soluções.

ü     Identificar possíveis agressores.

ü     Acompanhar atentamente o desenvolvimento de cada aluno.

ü     Dar oportunidade aos alunos para que eles criem regras de disciplinas para suas próprias salas de aula, em coerência com as regras gerais da escola.

ü     Estimular lideranças positivas entre os alunos prevenindo a formação de agressores e futuros casos de Bullying.

ü     Interferir diretamente nos grupos, o quanto antes, para quebrar a dinâmica de Bullying.

ü     Incentivar e apoiar relações familiares positivas.

 

Escola contra o Bullying: oportunidades

 

ü     Nas festas escolares

ü     Nas aulas de Artes e Educação Física

ü     Na reunião de Pais

ü     Em concursos de Redação

ü     Nas Salas de Aula

ü     Nas Salas de Leitura e Biblioteca

ü     Em apresentações

ü     E onde mais nos parecer cabível

 

Sensação e consequências de quem aplica (agressor) o Bullying

 

ü     Falsa sensação de Poder

ü     Prejudica a Convivência com os colegas

ü     Pode vir a adotar, no futuro, comportamentos delinquentes

ü     Pode tornar-se um adulto violento

ü     Pode envolver-se em atos criminosos

 

Sentimentos de quem sofre (alvo) o Bullying

ü      

ü     Sente-se humilhado

ü     Sente-se intimidado

ü     Seu aprendizado é prejudicado

ü     Sofre intensamente

ü     Não consegue buscar ajuda

ü     Isola-se dos colegas

ü     Pode ter reações violentas

ü     Tem medo de ir à escola

ü     Sofre em silêncio

ü     Auto-estima abalada

ü     Pode prejudicar sua vida adulta

ü     Sente dor (inclusive física)

ü     Pode tentar ou cometer suicídio

Sentimentos de quem testemunha o Bullying

 

ü     Medo de vir a sofrer o Bullying

ü     Sente-se intimidado, indefeso e inseguro

ü     Sofre em silêncio

ü     Não sabe como ajudar

ü     Sente medo de ir à escola

ü     Ansiedade

ü     Aprendizado prejudicado

ü     Pode acreditar que seja bom praticar o Bullying

 

Todas as crianças e adolescentes tem o DIREITO de estudar em uma escola onde, além de um bom aprendizado, possam conviver em um ambiente sadio, onde exista amizade, solidariedade e respeito às características pessoais de cada um.

Dedicação

11 de março de 2009


"Dedicação é a capacidade de se entregar à realidade de um objetivo.


Não conheço ninguém que tenha pregredido na carreira sem trabalhar por pelo meno 12 horas diárias nos primeiros anos.


Não conheço ninguém que conseguiu realizar seus sonhos sem  sacrificar sábados e domingos pelo menos uma centena de vezes.


Para conseguir resultado diferente da maioria, você tem de ser especial, pois se fizer igual a todo mundo, obterá os mesmo resultados.


Não se compare à maioria, pois infelizmente , ela não e modelo de sucesso. Se você quiser atingir uma meta especial, terá de estudar no horário em que todos estão tomando chopp com batatas fritas, terá de planejar enquanto os outros permanecem à frente da televisão, terá de trabalhar, enquanto os outros tomam sol à beira da piscina.


A realização de um sonho depende da dedicação.


Há muita gente que espera que um sonho se realize por mágica, mas toda mágica é ilusão e ilusão não tira ninguém do lugar onde está… Ilusão é combustível de perdedores…"


Paulo Brandão

Terremotos

11 de fevereiro de 2009

 

Dizem que passado o terremoto de Lisboa (1755),
o Rei perguntou ao General o que
se havia de fazer.
Ele respondeu ao Rei:
‘Sepultar os mortos,
cuidar dos vivos e fechar os portos
‘.

Essa resposta simples,
franca e direta tem muito
a nos ensinar.

Muitas vezes temos em nossa vida
‘terremotos‘ avassaladores,
o que fazer?
Exatamente o que disse o General:
‘Sepultar os mortos,
cuidar dos vivos e fechar os portos
‘.

E o que isso quer dizer para a nossa vida?

Sepultar os mortos significa que não adianta
ficar reclamando e chorando o passado.
É preciso ’sepultar’ o passado.
Colocá-lo debaixo da terra.
Isso significa ‘esquecer’ o passado.
Enterrar os mortos.

Cuidar dos vivos significa que,
depois de enterrar o passado,
em seguida temos que cuidar do presente.
Cuidar do que ficou vivo.
Cuidar do que sobrou.
Cuidar do que realmente existe.

Fazer o que tiver que ser feito para
salvar o que restou do terremoto.

Fechar os portos significa não deixar as
‘portas’ abertas para que novos
problemas possam surgir ou
‘vir de fora’ enquanto estamos
cuidando e salvando o que restou
do terremoto de nossa vida.
Significa concentrar-se na reconstrução,
no novo.

É assim que a história nos ensina.
Por isso a história é ‘a mestra da vida‘.
Portanto,
quando você enfrentar um terremoto,
não se esqueça:
enterre os mortos,
cuide dos vivos e feche os portos

 

Autor desconhecido

Fim de Convivência

30 de janeiro de 2009


Existiu um homem chamado Padre Vieira.

Com muita sabedoria, ele disse que o homem,

Precisa saber a hora de parar, amando.


Sabe! Eu parei!


Não teremos que brigar mais

Por causa da pasta de dentes, aberta sobre a pia.


Não teremos que brigar mais

Por causa da toalha molhada sobre a cama.


Não teremos que brigar mais

Por causa do lençol, que se tornou pequeno

Demais para nós dois.


Não teremos que brigar mais

Porque você não veio jantar e

Não ligou para me avisar.


Não teremos que brigar mais.


Teremos que nos contentar

Com o que já foi vivido.


Não nos chatearemos mais

Por termos pouco tempo um para o outro.


Não nos chataremos mais

Por não termos um lugar para nos amar.


Não nos chatearemos mais

Com o trânsito das ruas,

Quando tínhamos tanta pressa (De quê?)


Não nos chatearemos mais

Indo sempre aos mesmos lugares.


Não nos chatearemos mais

Com os defeitos um do outro.


Não nos chatearemos mais.


Mas também não viveremos mais como Nós.

Nos contentaremos apenas com a saudade de tudo

O que vivemos e de tudo que não vivemos

Juntos.

(SP-1996)

A tudo e a todos

Fui vivendo

Vivendo minha vida.

Desconhecendo um mundo

Maior.

Restrita ao Universo que meus ohos

Alcançavam.


Você chegou

Renovou toda a história

Ampliou o meu Universo.

E ao invés de enxergar

Com meus olhos

Enxerguei com meus poros.

E conheci muito mais.


E eu continuei

Mas mudamos de rumo:

Você não quis me acompanhar

E eu não pude seguir você.


Mas saí nova,

Mais capaz, mais pura, mais mulher.

Montanha Russa ou Parte de um Auto-Retrato


Comigo tudo é e sempre foi

Muito.


Muito bom, muito ruim.

Muito amor, muita raiva.


Na história da minha vida

Posso estar agora no auge

E em seguida no sub-solo.


Mas trabalho rápido

E logo reverto o quadro.


Encontro um equilíbrio

E Zás!… Corro morro acima!

E Zás!… Corro morro abaixo!


Mas sempre saio nova

Renascida

Aproveitando cada milímetro

Da experiência vivida!

Estrela ( de Taiana Rossi para Carol/2002)



Aquela estrela
Que brilhou ontem
Era um pouquinho de mim.

 

Um pouco do
Amor que eu
Sinto pela vida
Brilhando no céu, enfim.

 

Mais um ponto
Prateado
Junto a tantos
Mais encantados

 

A transmitir
Seu calor
Na plenitude
De seu ardor.

E junto a você
Brilhei mais forte
Pra você entender
Que a amarei até a morte.

Decisão de Vida

 

Estava andando na praia, com o pensamento a voar, a tristeza me rondava. Parecia que o mundo queria me devorar.

 

Quando, sem querer, encontrei seu olhar tão perdido quanto o meu, tão sem rumo que quem chega perto sente a solidão e a dor.

 

O reflexo na água parece uma nuvem branca e cinza, como se nossa alma se encontrasse num equilíbrio pleno da ansiedade e da calma.

 

Junto percebemos que somos um só, que o mundo na verdade está sendo devorado pela gente. Com o pensamento a voar, buscamos o equilíbrio. Mas como chegar ao equilíbrio, se verdade dentro de nós só falta ele para nos tornarmos realmente realizados.

 

Nisso, percebemos que formamos uma grande confusão de ventos e sentimentos, e tudo parece tão fora de ordem que o desespero começa.

 

Até a hora que você grita e me desespero, para uma realidade de uma vida humana na qual não estava sabendo conviver.

 

A realidade não nos torna menos ou mais. A realidade apenas nos mostra que podemos ter visões diferentes do mundo e dos verdadeiros sentimentos.

 

Num piscar de olhos, acordo deitada numa rede, numa praia isolada de todos, e fiquei pensando com quem estava conversando.

 

Consigo escutar uma voz, que me diz para nunca pensar que sou menos e que não tenho força para aguentar os trancos e barrancos. Será que era meu grande amor, será que era meu anjo? Não sei dizer.

 

Me levanto e vou em direção ao mar; me vejo novamente me encontrando com tua alma, mas agora a água está turva como se o tempo estivesse se fechando para uma grande chuva.

 

Ando. Procuro me encontrar. Teu reflexo não aparece. Por que você não está aqui?

 

Você me completa e eu te completo.

 

Ele surge e me pede para pensar, pois não é quem eu imagino. Ele é alguém que me quer bem, muito bem. E que está tentando me mostrar o mundo, sem ter que me destruir para perceber que tudo pode ser de uma maneira mais bonita e mais simples.

 

Então caio na real: é realmente meu espírito lutador que não aguenta me ver mais jogada. Me levanta e me diz:

 

- Agora você sabe o caminho. Vou voltar ao meu lugar. Espero que tenha feito o meu trabalho. Daqui para frente a minha existência depende de você. Só você pode saber se mereço ou não estar assim, tão evidente em seu dia-a-dia.

 

Fui então para minha casa. Voltei para a minha vida e tudo parecia bem diferente: as pessoas me olhavam e me observavam, como se estivesse evidente em meu olhar que eu estava em uma grande evolução espiritual.

 

Sai na rua. Fui ao médico decidida a me curar. Queria realmente minha vida de volta.

 

Enfrentei cada sessão de quimioterapia e renascimento; cada enjôo, cada calafrio, queda de cabelo; ….

 

Queria viver.

 

E venci. Isso foi há, mais ou menos 12 anos.

 

Hoje sou uma mulher inteira, comum, trabalhadora, mãe, amiga, psicóloga, escritora, filha, irmã, etc.

 

Estou viva e isso é que importa.

 

Encantamento


Houve encantamento. Houve sim. Ele estava certo disso.

Um desejo, quase uma necessidade de estar junto.

Um dia longe era uma eternidade.

Existia uma urgência, uma aflição, uma alegria que até doía.


Era lindo como ele olhava para ela e mais lindo era como ele a via.

Ele a via linda, desejável, inteligente, charmosa, sexy.


E ela enxergava isso. Ela acreditava em cada palavra e promessa daquele olhar.

Andava por aí como se o mundo fosse dela; convencida de sua própra luz e beleza.


O olhar dele a acariciava. Divino.


Eles mal podiam se aproximar e o amor, o desejo, e a paixão tomavam conta deles.

Eles não se beijavam: se engoliam.

Eles não se abraçavam: viravam uma confusão de braços e pernas entrelaçados.

Eles se pertenciam sem posse, por escolha.

Não queriam mais nada. Existiam um para o outro. Todo o resto era complemento, pano de fundo.


Sim, eles se queriam, queriam muito.

Houve um encantamento. Houve sim. E ele estava certo disso.

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